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  • "[O karma designa] uma força ativa, significando que o resultado dos acontecimentos futuros pode ser influenciado por nossas ações. Supor que karma é uma espécie de energia independente que predestina o curso de toda a nossa vida é incorreto. Quem cria o karma? Nós mesmos. O que pensamos, dizemos, fazemos, desejamos e omitimos cria o karma. Não podemos, portanto sacudir os ombros sempre que nos defrontamos com o sofrimento inevitável. Dizer que todo o infortúnio é mero resultado do karma equivale a dizer que somos totalmente impotentes diante da vida. Se isso fosse verdade, não haveria motivo para se ter qualquer esperança."

    (Dalai Lama, Palavras de Sabedoria)


    "De modo geral, para que as coisas aconteçam, é necessário uma ação. Por exemplo, se você quer tomar um chá, precisa praticar vários atos que possibilitem isso: comprar a erva, arrumar uma xícara, preparar a água etc., até que, enfim, esteja em condições de bebê-lo. Essas ações, como toda e qualquer ação, têm seus resultados; esta é a lei do karma. Existem ações que frutificam de imediato; outras, porém, frutificam em alguns meses ou anos, ou depois de várias vidas, ou mesmo depois de várias eras mas, apesar do tempo que possa mediar, sempre haverá uma correspondência entre a ação e o seu fruto."

    (S.S. o Dalai Lama)


    "Algumas pessoas acreditam que uma alma imortal, ou atman, migra de vida para vida, ou que a consciência individual é reabsorvida na consciência universal ou mente divina para depois, mais uma vez, renascer. A visão buddhista não é nenhuma dessas. [...]

    O que sobrevive à morte é o fluxo contínuo, sempre em mutação, da energia de nosso corpo e mente muito sutis. Todos nós recebemos um nome quando nascemos e, por toda a nossa vida, respondemos a ele, embora nosso corpo e mente aos dez, vinte, trinta, quarenta, cinqüenta ou setenta anos sejam bastante diferentes. Somos a mesma pessoa, mas não somos a mesma pessoa. A natureza essencial de nossa mente é vazia de uma existência por si mesma independente. Nossa natureza mais essencial é como um cristal puro [sânsc. vajra], e nela são gravadas muitas marcas. Assim, momento após momento, vida após vida, estamos sempre nos manifestando de formas diferentes. "

    (T.Y.S. Lama Gangchen Rimpoche)


    No buddhismo tibetano, é muito comum a identificação de tülkus (tib. sprul sku), lamas renascidos como crianças e identificados através de visões, profecias e testes.
    Nos dias de hoje, certamente o tülku mais conhecido é Tenzin Gyatso, o Dalai Lama.
    Segundo ele, a tarefa de identificar os tülkus é mais lógica do que pode parecer à primeira vista. Dada a crença buddhista no renascimento, e considerando que todo o propósito da reencarnação é possibilitar ao ser continuar seus esforços em benefício de todos os seres vivos, é uma conclusão clara que deveria ser possível identificar casos individuais. Isso habilita-os a serem educados e colocados no mundo de tal forma que continuem seu trabalho o mais rápido possível. Certamente, podem ocorrer erros nesses processo de identificação, mas as vidas da grande maioria dos tülkus (atualmente existem algumas centenas deles reconhecidos, sendo que antes da invasão chinesa eram provavelmente milhares os tülkus reconhecidos) são um bom exemplo do testemunho de sua eficácia.
    A palavra tülku também é geralmente traduzida com o sentido reencarnação, mas o significado correto é corpo de emanação (sânsc. nirmanakaya). Do mesmo modo que o sol emana muitos raios — que não são totalmente iguais, nem totalmente diferentes —, um lama teria a capacidade de emanar uma sucessão de renascimentos para trazer benefício aos outros seres.